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Egos ocupam biomas

Imagem: Paul Seling Numa dessas dinâmicas insuportáveis de ambiente corporativo, fui desafiada a imaginar uma bola no deserto. Daquelas atividades que ninguém leva muito a sério, mas todo mundo finge que está tendo uma epifania coletiva. Quando começamos a revelar os estilos e tamanhos das bolas que imaginamos, fui desmascarada. No meu delírio particular, a minha bola era dourada, brilhante e gigantesca, da altura daqueles prédios absurdos de Dubai. O homem que conduzia aquele pequeno circo corporativo fez a revelação final, com a solenidade de quem entrega uma verdade universal: a bola era o nosso ego. Me senti mal, porra. Logo eu?! Uma pessoa tão humilde?! Achei tudo aquilo ridículo. Mas a verdade é que aquela bola nunca mais saiu da minha cabeça. Eu pensava: estou no deserto. Se tudo é vazio, por que não ocupar o maior espaço possível com a minha bola imaginária? Ué. Nunca soube dizer se aquela dinâmica tinha algum fundamento psicológico ou se era apenas mais uma tentativa desespera...

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