A importância da comunicação na minha vida
Peter Ustinov dizia que comunicação é a arte de ser entendido.
Eu diria que é também a arte de sobreviver sem parecer completamente maluca.
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Foto: Jimmy Elizarraras |
Porque, sejamos sinceros: a gente fala demais!
E, no fim das contas, quase ninguém se entende.
A natureza, sim, comunica. Instintivamente, quase sempre sem ruído.
Fui uma criança tímida da roça (oh, tadinha!). Ou, pelo menos, me diziam isso.
Eu era pavorosamente hiperativa. Mas, se eu deixasse esse demônio vir à tona, eu apanhava.
Sendo assim, eu tinha mini-infartos toda vez que precisava me comunicar.
Achava que qualquer frase ou ação minha podia virar bronca, castigo ou julgamento eterno.
Preferia o silêncio ao vexame. Infelizmente, hoje é o contrário: não apanho mais, mas não fico em silêncio — e passo vexame.
Mais tarde, fui me tratar e descobri que era só TDAH mesmo.
Fiquei tão aliviada de descobrir que não era burrice.
Minha trajetória com a escola foi meio atribulada: nunca repeti de ano, mas também não sei como. Talvez por osmose.
Estudar, de verdade, nunca foi minha prioridade. Eu gostava muito de namorar, mas também apanhava se namorasse. E apanhava se repetisse de ano.
O jeito era administrar os beijinhos no muro com a semana de provas.
E se minha aprendizagem era cheia de falhas, não foi culpa só da didática precária.
Parte da culpa era minha mesmo, mais interessada em entender os mistérios da vida do que decorar fórmulas.
Assim fica mais romântico justificar tantos erros do passado.
Mesmo assim, sempre me senti guiada pela vontade de viver e traduzir o mundo — ou, pelo menos, tentar.
Com 16 anos, me formei no ensino médio.
Enquanto meus colegas escolhiam carreiras, eu escolhi viver.
Mergulhei em experiências intensas, algumas muito boas.
Trabalhei em um jornal impresso e aprendi tudo: escrever, editar, diagramar, fotografar, cobrir tráfico, homicídio e jogo do bicho.
Foram seis anos que moldaram minha espinha dorsal na comunicação.
Criei um projeto de revista chamada CONQUISTE, com planos de estudar fotografia, jornalismo, edição… tudo para fazer sozinha. E fiz.
Estudei Fotografia na melhor escola do Brasil e, aos 28, entrei em uma das melhores universidades do país. Tarde? Talvez.
Mas, quando entrei na universidade, entendi finalmente o que era aprender com liberdade.
Como disse Rubem Alves, encontrei a escola que dá asas — e não grades.
Não comunico como antes.
Sinto necessidade de comunicar.
Preciso escrever.
Preciso entender.
Preciso provocar.
A comunicação me salvou. E ainda salva, todos os dias.
Tento entender, nas pequenas tragédias da vida, como escutar e contar histórias.


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